sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O espelho de Einstein

Houve um tempo em que os físicos se perguntavam qual o meio responsável pelo deslocamento da luz. Sabia-se que a luz conseguia se propagar no vácuo, mas os cientistas da época consideravam isso paradoxal e propuseram que o universo era permeado por uma substância chamada éter. O éter era um tanto quanto estranho. Era considerado incrivelmente forte e no entendo estranhamente insubstancial. Era transparente, sem atrito e quimicamente inerte. Estava em toda parte ao nosso redor e, no entanto, era difícil de identificar já que ninguém jamais o vira, agarrara ou dera de cara com ele. Einstein ainda era um jovem estudante de 16 anos quando propôs uma experiência mental para mostrar que o éter não existia. Ele imaginou o que aconteceria se pudesse viajar no espaço com a velocidade na luz e um espelho a sua frente. Particularmente, ele indagava se seria capaz de ver o próprio reflexo. Pela teoria da época, a luz era supostamente transportada pelo éter e isso implicava que ela se deslocava com a velocidade da luz (300.000 km/s) em relação ao éter. Na experiência mental de Einstein, ele, seu rosto e o espelho se deslocavam também com a velocidade da luz. Assim, a luz deveria deixar o rosto de Einstein e viajar até o espelho, mas nunca conseguiria deixar seu rosto, e muito menos chegar ao espelho, porque tudo se movia com a velocidade da luz. E como a luz não podia alcançar o espelho, então ela não seria refletida de volta e, conseqüentemente, Einstein não conseguiria ver o seu reflexo. Isso era totalmente chocante, pois contrariava o princípio da relatividade de Galileu, que dizia que uma pessoa que se deslocasse numa velocidade constante, não poderia determinar se estava se movendo ou parada. Com a experiência mental de Einstein, alguém que estivesse viajando com a velocidade da luz conseguiria saber do seu movimento, pois o seu reflexo desapareceria. Alguma coisa tinha que estar errada. Ou a relatividade de Galileu estava errada ou a experiência mental de Einstein tinha alguma falha fundamental. Einstein concluiu que a luz não viaja a uma velocidade fixa em relação ao éter, que a luz não é transportada pelo éter e que o éter nem sequer existia. [E isso tudo com 16 anos.] Ele pensou sobre o assunto intermitentemente durante os anos seguintes e chegou à conclusão que a luz se desloca a uma velocidade constante em relação ao observador. Isso implica que não importa quais as circunstâncias ou como a luz está sendo emitida, cada um de nós pessoalmente mede a velocidade da luz. Essa idéia parece absurda e, no entanto, ficou provado que Einstein estava certíssimo. E foi a partir daí que surgiu a teoria da relatividade especial de Einstein e as suas idéias de contração do espaço e dilatação do tempo.

Um comentário:

thiago disse...

ainda não tenho ideia de como a luz pode ser constante mesmo se eu estiver na velocidade da mesma.